[Crítica] Como Treinar o Seu Dragão (2025)
Quinze anos após o lançamento da animação original, a DreamWorks decidiu revisitar a franquia com uma nova versão em live-action. Em uma época marcada pela onda de remakes na indústria cinematográfica, o filme Como Treinar o Seu Dragão conta com a direção e o roteiro de Dean DeBlois, que também comandou os longas animados anteriores. A trama mantém-se fiel à essência da obra original, preservando o encanto e a magia de um mundo medieval onde o medo do desconhecido prevalece, transmitindo a mensagem poderosa de que a verdadeira força está em compreender e não em combater.
A narrativa acompanha a ilha de Berk, um cenário onde os moradores vivem para caçar dragões. O protagonista Soluço decide seguir um caminho diferente de sua aldeia ao tentar conhecer essas criaturas e demonstrar que, muitas vezes, os verdadeiros vilões são os próprios humanos. A ambientação realista da ilha se destaca pela excelente direção de arte, enquanto a fotografia de alta qualidade e a trilha sonora reforçam a atmosfera de aventura e a conexão emocional com o espectador, fruto do trabalho equilibrado de Dean DeBlois entre humor, emoção e ação.
A frase que resume o espírito do protagonista é que nem todo herói usa espada e às vezes basta estender a mão. No papel de Soluço, o ator Mason Thames entrega uma performance envolvente ao capturar com sensibilidade a coragem e a vulnerabilidade do personagem, demonstrando potencial para dar continuidade ao papel em futuras sequências. Em contrapartida, Nico Parker, que interpreta Astrid, o interesse amoroso do protagonista, não conseguiu entregar uma atuação tão marcante, parecendo um pouco deslocada na personagem, enquanto Gerard Butler se destaca de forma convincente como o chefe viking Stoico, o Imenso, ao lado do restante do elenco mirim e adulto.
No aspecto técnico, as cenas de ação chamam atenção pela qualidade visual e por efeitos impressionantes. O dragão Banguela, assim como as demais criaturas, foi recriado com um CGI impecável que preserva o carisma e o estilo encantador da animação. As sequências de voo, que sempre foram um dos grandes destaques da franquia, estão muito bem coreografadas e conseguem manter a sensação de liberdade e aventura tão característica do universo original.
No fim, Como Treinar o Seu Dragão cumpre bem o que promete ao entregar um entretenimento focado no público infantil e nos fãs da saga. O longa não pretende reinventar a história clássica, mas sim homenageá-la com competência, funcionando como uma adaptação bonita e bastante fiel ao material de origem.




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