[Crítica] Salve Rosa (2025)
Revivendo polêmicas e discussões da vida real, o filme Salve Rosa, dirigido por Susanna Lira, narra a história fictícia de uma famosa influenciadora mirim chamada Rosa, interpretada por Klara Castanho. A trama ganha força quando a jovem descobre alterações em seus exames de saúde após desmaiar na escola, um evento que desencadeia o questionamento sobre sua própria realidade e sobre a relação tóxica mantida com sua mãe.
A protagonista se apresenta na internet como uma criança carismática e alegre, ao passo que, por trás das câmeras, sofre com um severo abuso parental que por muito tempo passou despercebido. O longa acerta, portanto, ao trazer em evidência temáticas extremamente pertinentes para a sociedade contemporânea, como a infantilização forçada, a exposição excessiva de crianças e adolescentes no meio digital, o controle parental abusivo e a exploração comercial de menores.
Outro ponto positivo da produção é a caracterização da personagem principal. A atriz Klara Castanho, aos 25 anos, entrega uma performance convincente ao ser inserida em um universo dominado por ursinhos de pelúcia, brinquedos, vestidos rodados e elementos infantis, conseguindo transmitir com naturalidade a figura de uma garota que aparenta ter apenas 13 anos. O elenco ainda conta com Isabel Fillardis no papel da mãe Dora e com a jovem atriz Kéfera Buchmann ou talentos do apoio que ajudam a construir o entorno social da protagonista.
Também é interessante observar o trabalho de direção de arte e a construção da paleta de cores. O cenário e as roupas coloridas, chamativas e lúdicas que vestem Rosa dialogam diretamente com sua caracterização infantil, criando um contraste marcante com os tons escuros e frios que caracterizam sua mãe Dora, bem como com as cores modernas de sua amiga Zoe. Essa escolha estética evidencia o quanto Rosa está isolada do mundo do qual foi privada de pertencer. Tons como rosa, azul, amarelo e verde evocam conforto e inocência na tela, mas na prática pintam a própria prisão em que a garota foi condenada a viver.
Entretanto, o roteiro assinado pela equipe de Susanna Lira falha ao não abordar com a devida profundidade os aspectos legais e psicológicos do trabalho infantil no meio digital. Uma questão complexa e atual acaba sendo transformada em uma trama com passagens superficiais e apressadas que, apesar de entregar uma mensagem clara ao público, desvia do foco principal ao negligenciar um desenvolvimento mais consistente em prol de sequências descartáveis.
A respeito disso, o arco narrativo que retrata a vida íntima da mãe de Rosa, assim como a trama de adultério protagonizada por ela e Beto, o vizinho comprometido, se mostra bastante desnecessário. Essas passagens não agregam valor à dor central da protagonista e acabam prejudicando o envolvimento temático e o ritmo do enredo.
Portanto, Salve Rosa traz à tona discussões muito relevantes em uma época marcada pelo crescimento desmedido de influenciadores menores de idade nas redes sociais. Porém, a boa intenção da diretora Susanna Lira e a atuação dedicada de Klara Castanho não compensam a falta de profundidade do texto, que se perde em subplots dispensáveis e impede que a denúncia alcance todo o seu potencial dramático.




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